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A passarela é toda dela

Mesmo com o tempo curto, Cacau Protásio decidiu investir na moda e abriu a sua loja de roupas plus size. Nas páginas a seguir, ela fala dessa sua nova experiência, mas também da vontade de ser mãe, da missão de levar alegria a doentes em hospitais, de novos trabalhos e de como cuida da saúde

 

Texto Valéria Souza
Fotos Janderson Pires
Produção e beleza Cacau Protásio
Ela veste MS. Cacau

Foto Janderson Pires

 

Ela é incansável e é sucesso na TV, no cinema e no teatro. E como se não bastasse a tripla jornada, ela agora ataca na moda. Estamos falando da talentosa Cacau Protásio. A atriz e humorista brasileira, que nos enche de alegria a cada nova personagem, acaba de inaugurar uma loja destinada ao segmento plus size. A MS. Cacau, no Shopping Downtown, na Barra da Tijuca, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, é um achado de peças de qualidade e para estilos variados. Mas por que ela decidiu entrar nesse ramo? Em meio às obras do seu novo espaço antes da abertura, nós batemos um papo com a Cacau e ela falou de tudo um pouco: o mundo fashion, a carreira, a veia de empresária, a saúde e a família. Então, vamos lá.

 

“Não é porque a pessoa está acima do peso que ela vai se boicotar. Eu uso tudo. O que importa é eu me achar bonita em frente ao espelho. Tem que combinar com a minha personalidade, com o meu corpo. Visto tudo que eu achar que ficou bem em mim, e mais de uma vez”

O olhar mais atencioso para a moda surgiu quando ela estava rodando o filme “Gostosas, Lindas & Sexies” (2017). “Foi neste filme que eu despertei para esse universo. Eu trabalho com TV, então, é importante cuidar da minha imagem, mas desde que eu me sinta bem, tenho que estar à vontade. Eu via uns vestidos legais nas lojas, mas não achava um do meu tamanho, tinha que adaptar as roupas masculinas e comprava três ou quatro peças do mesmo modelo. Quando comecei a fazer viagens internacionais, como para Nova York (EUA), por exemplo, vi muito mais opções que no Brasil: roupas modernas do meu tamanho e com o preço acessível. E por que não poderia ter aqui?”, questiona ela, que veste 50.

 

Os tamanhos em sua boutique transitam do 44 ao 56, mas ela ainda planeja ter o 60 em suas araras. Muitos looks da sua loja são únicos. E tem mais: bolsas, brincos e colares estão disponíveis para a venda. Cacau ainda não desenhou figurinos exclusivos, mas é algo que pretende fazer em breve. “Não é porque a pessoa está acima do peso que ela vai se boicotar. Eu uso tudo, só não sou fã de estampado, prefiro liso, acho mais elegante para mim. O que importa é eu me achar bonita em frente ao espelho. Tem que combinar com a minha personalidade, com o meu corpo”, diz ela que não está nem aí se os paparazzi a fotografam com figurino repetido de um outro dia. “Eu, hein! Repito roupa de casamento, batizado, não tenho esse problema. Visto tudo que eu achar que ficou bem em mim, e mais de uma vez. E não saio de casa sem os meus óculos, que coleciono, e sem batom. Mas o que eu adoro mesmo são o meu pijama, meu baby-doll e meus chinelos (risos).”

 

Foto Janderson Pires

 

Bullying: ‘Quando eu era criança fui zoada’

Nas redes sociais, ela já escutou (leu) muitos depoimentos de seguidoras que se inspiraram nela para sair da depressão.  “Muitas me disseram que as ajudei a elevar a autoestima. Pra mim, é obrigação de todos ajudar o outro”, frisa ela, que já sofreu bullying por causa de suas medidas. “Quando eu era criança fui zoada. Na verdade, fui motivo de chacota mesmo, essa era a palavra usada na minha época. Eu vencia o preconceito dos outros na porrada e no xingamento. Ficava com raiva. Mas, depois de velha, eu percebi que o problema não era meu e, sim, das pessoas. Passei a não ligar mais. ”

 

“Quando eu era criança fui zoada. Na verdade, fui motivo de chacota mesmo, essa era a palavra usada na minha época. Eu vencia o preconceito dos outros na porrada e no xingamento. Ficava com raiva. Mas, depois de velha, eu percebi que o problema não era meu e, sim, das pessoas.
Passei a não ligar mais”

 

Hoje, Cacau Protásio admite que está com problemas de saúde em virtude do sobrepeso e prefere não entrar em detalhes, mas afirma que está se cuidando. “Sou vista como uma representante de uma parte das gordas/obesas. Mas se emagreço, por questões de saúde, não represento mais? Alguns (seguidores) me atacam e dizem no meu Instagram: ‘se você emagrecer muito vai perder a graça’. Como assim? Comédia não tem a ver com peso. Eu preciso cuidar do meu bem-estar. Tenho que diminuir o peso. Eu serei uma obesa para o resto da vida. Emagreço, mas tenho pensamento de gordo. Sou dessas, sou uma obesa”, dispara ela, que cortou da alimentação açúcar, farinha e refrigerante. “Não gostava de água. Brinco que da torneira da minha casa saía Coca-Cola. Por mim, só comeria hambúrguer e batata frita e tomaria sorvete. Mas parei de comer essas coisas. Minha nutricionista pega no meu pé. Eu preciso me educar”, enfatiza ela, que faz musculação todos os dias, sendo que três vezes na semana com acompanhamento de um personal trainer, e caminha.

 

Foto Janderson Pires

Coração solidário

Casada há seis anos com o fotógrafo Janderson Pires, Cacau é muito feliz no casamento e planeja, claro, aumentar a família. “Meu marido me ama e diz que sou linda. Sou feliz. Quero ser mãe. Eu queria unzinho (filho) só. Mas se vierem dois, três ou quatro serão bem-vindos. Deus sabe que terei condição de criar”, diz ela, que sonha adotar. “Tenho vontade de adotar, sim. Eu quero uma família”.

 

De uma a três vezes por mês, a atriz visita hospitais caracterizada de Therezinha, sua personagem no programa do Multishow “Vai que cola”, que está no ar em sua sexta temporada. “Há dois anos que eu vou a hospitais, não gosto de falar onde vou nem quando vou para não ter tumulto. E também não divulgo porque eu faço isso de coração, não preciso mostrar para ninguém. Choro muito depois que saio dessas visitas. A criança com câncer, por exemplo, não tem noção de tudo aquilo e o que ela quer mesmo é carinho. É punk. Saio de lá sempre agradecendo ao Papai do Céu por tudo. Eu adoraria abrir um espaço para ajudar crianças ou, então, ajudar com carinho e financeiramente dez crianças, acompanhando, sabe? Não necessariamente adotar alguma. Eu ainda vou fazer isso”, almeja.

 

 

“Quero ser mãe, claro. Eu queria unzinho (filho) só. Mas se vierem dois, três ou quatro serão bem-vindos. Deus sabe que terei condição de criar.
Tenho vontade de adotar”

 

Foto Janderson Pires

 

A veia dramática

Recentemente, Cacau participava do elenco de “Mister Brau”, seriado da Rede Globo; viajava o Brasil com a peça “Deu a louca na Branca”; e estava na telona com o longa-metragem “Os farofeiros”, sucesso de bilheteria nos cinemas. Ufa! Tudo isso ao mesmo tempo. E já estão no gatilho “Sai de baixo – O filme”, “Os farofeiros 2” e outra produção sobre a vida do saudoso Mussum, em que ela fará a mãe do Trapalhão. Cacau não sossega nem quer. “Graças a Deus tenho essa disposição. Quando estou de folga, eu não sei o que fazer (risos). Deus me deu o dom e eu me entrego. Só peço a Ele saúde para continuar levando alegria às pessoas”, destaca ela, que ainda tem três projetos na manga. “São para o cinema, mas no gênero drama. Eu gosto de fazer drama, embora todos me conheçam mais pelo humor. Fui convidada e topei. Porque gosto de contar histórias que transmitam uma mensagem que eu acredite. Chega muito texto para eu ler, mas só faço o que eu realmente acredito.”
“Estava difícil pagar as contas. Negra e gorda no Brasil já viu, né? Estava quase desistindo quando apareceu a Zezé, da novela ‘Avenida Brasil’, estourei e não parei mais”

 

E pensar que quase não tivemos Cacau Protásio nos fazendo rir. Ela estudava Psicologia na faculdade quando decidiu fazer teatro. Recebeu muitos nãos na televisão. “Estava difícil pagar as contas. Negra e gorda no Brasil já viu, né? Estava quase desistindo. Ia fazer outra coisa da vida quando apareceu a Zezé, da novela ‘Avenida Brasil (2012) ’, estourei e não parei mais”, comemora ela. Sorte a nossa.

 

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