Flávia Durante criou a feira de moda e cultura, referência no mercado plus size

 

Um bate-papo com a jornalista e DJ Flávia Durante, à frente da feira de moda e cultura Pop Plus, em São Paulo. Preconceito, dificuldades e amor próprio são os ingredientes dessa história de sucesso que completa cinco anos em dezembro.

Nova Eva: Como surgiu o Pop Plus?
Flávia Durante: Pela falta de moda com o meu estilo. Sou DJ, toco na noite, e sentia falta de roupas coloridas, com brilho, estampa, e nunca encontrava no meu tamanho. Eu engordei quando adulta. Até cerca de 5, 10 anos atrás, as roupas do meu tamanho eram antiquadas. Eu costumava ter três opções de lugares para compras: em loja de moda de senhora, inclusive eu comprava com a minha mãe; na seção de grávida, sendo que eu nunca tive filhos; e em seção masculina. Mesmo nunca tendo trabalhado com moda, sou jornalista, isso foi me irritando e tomei a iniciativa de fazer o Pop Plus. Começou com meia dúzia de marca de moda autoral plus size de umas amigas. E eu revendia uns biquínis moderninhos. Sempre gostei de usar biquíni. Mesmo depois de gorda.

 

NE: Foi difícil entrar no mercado? 
FD: Foi bem difícil no começo, não tinha apoio de ninguém. As pessoas me olhavam com desconfiança e preconceito, como brincadeira e coisa exótica. E as marcas não tinham comprometimento. Acho que hoje existe uma seriedade maior e estão dispostas a ouvir mais o público. Trabalhavam com modelos, mesmo dentro do plus size, o padrão 46/48. Mas começaram a perceber que as mulheres gordas também queriam se ver nas propagandas. Eu tinha que ir bastante atrás das marcas, e ainda faço isso. Só que hoje, geralmente, as marcas que vêm atrás de mim, e tenho que filtrar. Eu quero que o Pop Plus se diferencie por trazer marcas inovadoras. Estou buscando marcas que apresentem o que nunca foi feito, não o milésimo vestido de malha estampado. Parece que gorda só usa vestido. A gente quer calça, alfaiataria, coisas chiques, de qualidade.

 

A feira Pop Plus tem público fiel e reúne mais de 50 marcas de todo o Brasil. Fotos de Robson Leandro da Silva/Divulgação

NE: Como é ser referência para as mulheres?
FD: Acho estranho ser vista como referência. Eu não gosto dessa coisa de guru, de influenciadora, porque sou uma pessoa normal, como qualquer uma que paga as suas contas, que está batalhando para se estabelecer no mercado, então, se for para se inspirarem em mim, inspirem-se pelo lado trabalhadora.

 

O mundo diverso é mais bonito do que todo mundo igual

 

NE: Alguma história marcante na feira? 
FD: Uma menina, de uns 13, 14 anos, entrou no Pop Plus, experimentou um vestido e começou a chorar e disse: ‘a primeira vez que um vestido cabe em mim do jeito que eu gosto’. Isso emocionou todo mundo. Aí eu vi que o negócio estava ficando sério, como eu estava fazendo a diferença na vida de mulheres e como a pressão estética vem logo cedo. A gente tem que parar de minar a autoestima das mulheres desde cedo por causa de tamanho de roupa.

 

NE: Sempre se aceitou? 
FD: Prefiro falar em amor, aceitação parece que é assumir que está fazendo alguma coisa errada. A gente tem que valorizar a própria beleza, amar o próprio corpo e a diversidade. O mundo diverso é mais bonito do que todo mundo igual. Sempre gostei de mim do jeito que eu sempre fui. Só senti o preconceito de fora para dentro do que de dentro para fora. Eu ia numa loja e era maltratada, era xingada de baleia na rua. Não é só a beleza que tem que nos mover, tem outras qualidades: inteligência, carisma, energia. A gente vê as gordinhas e parece que estão sempre três vezes mais produzidas que as outras mulheres para poderem ser aceitas pela sociedade. E a importância da família é fundamental. Não é só a influência da mídia, da escola, que vai destruindo a autoestima, existem famílias abusivas.

 

Modelo Flúvia Lacerda esteve no evento 

NE: Uma pessoa inspiradora.
FD: Quem me inspira muito, mesmo sendo bem mais nova do que eu, é a Ju Romano, porque ela é bacana, decidida, forte, empoderada e profissional. Toda vez que trabalho come ela, eu aprendo muito. Ela me inspira com o que ela fala, posta. E também a Flúvia Lacerda (foto à esq.), Beth Ditto, mulheres maravilhosas que são inspirações diárias.

 

O Pop Plus, que começou em dezembro de 2012, acontece quatro vezes por ano, com mais de 50 marcas do Brasil. O recorde de público é de 9 mil pessoas. A 18ª edição acontece  9 e 10 de setembro, das 11h às 20h, no Clube Homs (Av. Paulista 735).

1 comment

  1. Edna Henn 24 outubro, 2017 at 11:22 Responder

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