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Ah, se essa sereia cantasse…

SIM, ELA SECOU POR QUESTÕES DE SAÚDE E ESTÁ NO NOSSO RECHEIO. NESSE ENSAIO TUDO DE BOM, FANI PACHECO, QUE AINDA ERA ‘CURVE’, NEGA TER FEITO MARKETING ENQUANTO ESTAVA NA MODA PLUS SIZE, AFIRMA QUE FOI SINCERA E REVELA CRISE

Texto Valéria Souza
Fotografia Filipe Menegoy
Produção Equipe Nova Eva
Makeup Thayná Brito | Hair Marcio Gomes de Assis
Caracterização G.R.E.S. Unidos de Padre Miguel
Acessórios Marcela Castro Acessórios
Agradecimento Carnavalesco Wagner Gonçalves,  Na Beca Tamanhos Reais
e Hereda Surf Hostel

Somos uma revista que valoriza a pluralidade, destacamos pessoas com histórias de superação e de sucesso e que contribuam de alguma maneira para ajudar ao próximo, seja emocionalmente, psicologicamente ou materialmente. Aqui, damos espaço ao segmento plus size, mas, fundamentalmente, à diversidade em geral. E é por isso que abrimos as nossas páginas para a ex-bbb Fani Pacheco. Neste ensaio bárbaro, que foi feito quando ela ainda vestia 44/46, manequins que correspondem, teoricamente, ao curve size – segundo profissionais respeitáveis da moda PS, não existe essa separação. A partir do 44 já é considerado tamanho maior -, a loura surge linda de sereia e de “surfista”.

E a nossa proposta nessa matéria de capa era um papo franco, direto, sem meias palavras, e ela, claro, topou. Então, como vem sendo bombardeada com críticas desde a época em que assumiu ter engordado 20 quilos, em janeiro de 2017, até agora, em que emagreceu devido ao diagnóstico de Síndrome Metabólica, resolvemos dar a ela a oportunidade de contar a sua versão dos fatos e de se defender das acusações. Afinal, muitas pessoas falaram que ela iria enxugar as medidas assim que pudesse, que ela não estava sendo verdadeira e que sua carreira como modelo plus era marketing. E pela primeira vez, ela abre o verbo e faz declarações exclusivas para a Nova Eva, como a crise existencial que está vivendo agora. Sem muito mimimi, começamos já querendo saber como ela lidou com as afirmações de que sua carreira no mercado PS seria meteórica e que estava apenas se aproveitando do momento para ganhar dinheiro.

 “Meu produto é a minha imagem, ela estando fit ou plus. O que me motivou foi o marketing? Não! O que me motivou foi falar pra essas pessoas (acima do peso). Pude usar a minha imagem pra fazer algo bom pra alguém e quando vi a possibilidade de trabalhar a imagem pra me sustentar, mesmo estando fora do meu padrão de beleza, eu usei o marketing. Mas não com mentiras.”

Tipo como se fosse uma jogada de marketing, né? Eu, por trabalhar com marketing, sou a minha assessoria de imprensa, meu marketing, e eu trabalho com meu produto. Meu produto é a minha imagem, estando fit ou plus. O que me motivou foi o marketing? Não! O que me motivou foi falar pra essas pessoas (acima do peso). Até porque eu precisava me sentir útil. Estava me sentindo inútil depois que a minha mãe morreu, assim como me sentia com o meu trabalho, com a minha imagem, sem fazer algo de bom ou produtivo pra alguém. Então, já que eu pude usar a minha imagem pra fazer algo bom pra alguém e vi a possibilidade de trabalhar a minha imagem pra eu conseguir me sustentar, mesmo estando fora do meu padrão de beleza, com um novo rótulo, como se eu fosse um vidro de xampu, eu usei o marketing, sim. Não com mentiras, mas com verdades. Com tudo o que eu estava sentindo. Não me sinto ludibriando ninguém, porque eu vivi aquilo ali intensamente, era real”, dispara ela, que relata como foi árduo o processo de se olhar no espelho e de encarar numa boa as mudanças no corpo.

Fani Pacheco toda-toda para a Nova Eva

“Foi difícil eu me aceitar, nunca menti em relação a isso. Tive que fazer psicoterapia, tive que superar. Estava feliz gorda porque fiz um trabalho psicológico pra isso. É possível sim, só que tem uma série de coisas que tem que contribuir. De acordo com seus critérios pessoais do que é ser feliz, do seu autoconhecer e tal. Naquele momento, eu me autoconheci profundamente pra saber o que realmente queria. É fácil? Não. É dolorido? Muito! Mas eu consegui, sim, me aceitar gorda e ficar feliz. Quando estava doído, eu falei que não estava me aceitando. Contei a derrota e a superação. Não foi marketing”, enfatiza ela que, antes de assumir que tinha engordado, ficou um tempo sumida da mídia, por vergonha de se mostrar com os quilos extras e por achar que não seria aceita pelo público acostumado a vê-la sarada.

Aliás, ela sempre faz questão de frisar que, por meses, recusou trabalhos no mercado porque não aceitava receber um cachê abaixo do que ganhava quando estava magra.

“Foram sete meses com propostas de trabalho que desvalorizavam a minha imagem só porque eu tinha engordado, ou seja, um preconceito dos contratantes. Tipo: ‘ah, engordou, tá valendo menos’. Não admiti isso. Vivi de reserva até eu ter uma proposta de contrato realmente relevante, recebendo o mesmo que ganhava quando era magra, ao contrário do que muita gente falou de mim: ‘engordou pra ganhar dinheiro’”, ressalta.

Os cerca de 20 quilos a mais aconteceram há quase dois anos, originados pelo o luto que ela não viveu na época em que sua mãe, Adele Mara, morreu, há quatro anos. Foi emendando um trabalho no outro, sem parar para pensar e para sentir a dor. De repente, veio a Síndrome do Pânico e uma tristeza profunda. “Tinha vontade de morrer e o que me fazia feliz era comer uma barra de chocolate grande por dia. Comer era a minha fuga”, lembra ela que da numeração 38 pulou para a 48.

“Hoje, estou emagrecendo e não estou satisfeita. Estou vivendo uma crise existencial. Vivo uma crise de identidade porque estou procurando de novo o meu eu. Me sinto perdida.
Não estou me achando linda, não! Nas férias, vou fazer uma psicoterapia intensiva”

Sereia: ‘vem que eu estou te querendo’
Neste ensaio massa, Fani, ainda vestindo entre 44 e 46, embarcou na fantasia e topou se vestir de sereia. Por uma feliz coincidência, desde o último carnaval ela andava doida por uma cauda de sereia, mas procurou, procurou e não achou. Mas a frustração passou. Na Praia do Grumari, Zona Oeste do Rio, ela posou se sentindo a própria. “Amei me caracterizar de sereia. Gosto de fantasias, de colocar peruca. Eu estava me achando a Ariel. Foram dois lados que explorei nas fotos: lúdico e sensual. Em alguns momentos, eu me senti a Pequena Sereia; em outros, encantadora, com aquele olhar de ‘vem, que eu estou te querendo’, sabe? ”, diverte-se ela.

Fani Pacheco posa em ensaio exclusivo de sereia para a Nova Eva. “Me senti a Ariel”, diz a ex-BBB. Foto: Filipe Menegoy

E a brincadeira não parou por aí. Lembramos do tempo em que ela era amante do surfe, a produzimos a caráter e a colocamos na água gelada para tentar “pegar” uma onda. Só que ela não andava íntima de prancha desde 2010. Resultado? Uma série de caixotes. “Adorei, mesmo tendo tomado muitos caixotes. Vi que ando enferrujada e pretendo voltar a praticar”, promete ela, que teve a sua fase de esportes radicais: saltou de paraquedas cinco vezes e fez rapel algumas vezes. Ela também jogava futebol, mas confessa que não mandava muito bem, não. “Participei daqueles Jogos dos Artistas no time feminino. Eu era meio que o café com leite do grupo”.

Crise existencial
Hoje, com cerca de 15 quilos a menos e no caminho das suas antigas medidas, a eterna musa nos revela que está em crise e não tem se achado bonita. “Anos atrás, eu estava magra e achava que tinha barriga, que tinha que emagrecer, via celulite e pelanca em mim. Fazia a dieta de sopa a semana inteira achando que estava gorda. Louca, estava ótima! Tomava diurético dois dias e passava mal nos ensaios fotográficos, como se dois litros de líquido fossem fazer diferença. Pra mim, tudo isso hoje é fútil. Na verdade, foi muito bom passar por tudo isso, porque eu vi que a insatisfação não tem a ver com o visual ou com o peso. Tem a ver com o dentro da gente, literalmente. Hoje, estou emagrecendo e não estou satisfeita. Estou vivendo uma crise existencial. Vivo uma crise de identidade porque estou procurando de novo o meu eu e está difícil. Me sinto perdida. Não estou me achando linda, não! Nas férias, eu vou ter que fazer uma psicoterapia intensiva para poder me achar e vou conseguir”, desabafa ela, que faz terapia desde os 14.

Mas a dieta só aconteceu porque ela descobriu que estava sofrendo da Síndrome Metabólica, que se não tratada pode desencadear, por exemplo: diabetes e doenças cardíacas. “Achava que por eu sempre ter treinado e por ter sido uma atleta amadora, que seria uma gordinha saudável, e isso não tem nada a ver. A Dra. Petra Pilotto, nutróloga, me explicou que o meu caso era de resistência insulínica e que meu pâncreas estava sobrecarregado. Se eu continuasse sem praticar exercícios, sem emagrecer, eu iria ficar diabética a qualquer momento, tipo amanhã ou semana que vem. Eu poderia desenvolver uma doença crônica e sem cura pro resto da vida. Não ia mais poder comer doces, carboidratos… e tem gente que está acima do peso há dez anos e não tem esta síndrome, com exames excelentes. Como tem gente magra que tem”, explica Fani.

Fani Pacheco “pegou” umas ondas

Mas e os contratos que assinou com marcas plus size? Como fica a sua situação tendo emagrecido? “Eu tenho contratos de campanhas publicitárias com algumas marcas de lingerie, de biquíni e de roupa. Como fica? Fica com a verdade de que eu tive que emagrecer. Essas marcas têm o direito de explorar minha imagem por determinado tempo. Umas têm por um ano; outras, por seis meses. A decisão se elas vão explorar por esse tempo todo ou não é delas, não é minha. Não sabia que passaria por isso.”

O período no segmento foi curto, mas rendeu bons frutos e que jamais poderiam ser invalidados. E é por isso que fazemos questão de destacá-los. Através das redes sociais e do seu canal Fani Quebra o Padrão, que vai voltar ao ar entre julho e agosto no Youtube, ela ajudou adolescentes e mulheres no resgate do amor próprio. Seja por problemas estéticos ou por depressão.

“Me pediam conselhos, contavam suas histórias e eu tentava ajudar. Uma comentou que engravidou, engordou e que o marido e a sogra a recriminavam. E aí muitas pessoas acima do peso postaram que eram recriminadas pela família, também. Uma outra disse que, por causa de mim, teve coragem de comprar biquíni e que agora vai à praia. Também me procuraram pessoas com doenças de distúrbios alimentares e de comportamento. E percebi que o meu canal não falava só pras gordinhas ou pros depressivos, mas pra todas as doenças à margem da sociedade. Ah, e muita gente anoréxica me pedia ajuda. Foi aí que decidi fazer um episódio sobre anorexia e bulimia. Estou estudando medicina pra fazer psiquiatria. Vejo que o fundo dessas doenças, tanto da obesidade quanto da magreza excessiva, como do distúrbio da autoimagem, tem a ver com o emocional, com a expectativa que criamos sobre nós mesmos. A sociedade sempre vai pregar um padrão de beleza. Porque é bom pra economia, pras indústrias, pro emprego. A gente tem que estar bem de cabeça pra não cair nessas neuras. O tratamento mental é importante”, diz ela, que atuava e fazia o roteiro dos episódios do seu canal.

“Não me sinto ludibriando ninguém, porque eu vivi aquilo ali intensamente, era real… Foi difícil eu me aceitar, nunca menti em relação a isso. Tive que fazer psicoterapia, tive que superar. É fácil? Não. É dolorido? Muito! Mas eu consegui, sim, me aceitar gorda e ficar feliz. Contei a derrota e a superação”

Sonho de ser mãe
Aos 36 anos, Fani Pacheco quer ser mãe. Solteira, ela procurou uma clínica de fertilização para congelar os seus óvulos. Mas está num dilema se deve seguir em frente com o plano ou não.
“Vi todos os pontos positivos e negativos de congelar os óvulos, como medida de segurança, porque, a partir dos 35 anos, eles começam a envelhecer. Vi as possibilidades de congelar fecundado e de congelar sem ser fecundado e o risco do descongelamento. Tá, mas quem é o pai? Porque eu estou solteira. Então, eu parei aí. Quero um pai do banco de sêmen ou eu quero um pai de fato? E se for pra ser um pai, que pai seria esse? Até eu amar alguém vai demorar quantos anos? É um conflito que não tenho resposta ainda. Eu não tomei nenhuma atitude”, conta ela que tem pavor da solidão: “eu desenvolvi um certo medo de ficar sozinha desde que a minha mãe faleceu”.

Fani Pacheco não surfava há quase dez anios

Projetos futuros

Cursando medicina, Fani pretende um dia ter sua clínica e fazer serviço social. Em tempo: ela apenas foi aprovada no oitavo vestibular que fez. Persistente ela, não? Como em tudo na vida. Sobre voltar a participar de um reality show – esteve em duas edições do “Big Brother Brasil -, ela não descarta. “Talvez sim, dependendo do custo/benefício. Afinal de contas, eu tenho uma despesa muito maior que antes na minha vida. Participar de um reality show hoje, quer dizer que eu perco um período da minha faculdade, que é muito cara. Não seria pra aparecer, seria pela questão financeira mesmo”, afirma.

Desde 2007 que Fani convive com a fama, mas está optando por seguir uma carreira que nada tem a ver com os holofotes. Mas ela confessa que tem medo de perder o carinho dos fãs. “Esse carinho faz parte da minha história. Eu não sei como seria ficar sem ele. Seria um luto, mas que eu teria que superar, até porque a profissão que eu estou escolhendo não é dentro do meio artístico, não favorece pra que eu continue na mídia. É muito legal abrir a rede social e ver alguém, que eu não conheço, torcendo por mim, dizendo que reza todos os dias por mim. Dá uma força, um impulso a mais”.

Hoje, o futuro está incerto, mas não por muito tempo, segundo a própria. “O universo ajusta as coisas. Sou uma guerreira magnética, eu penso muito em energia. Por mais que eu fique insegura, eu penso muito positivo. E aí vem um supertrabalho, vem uma superoportunidade. Sempre tenho uma bandeja nova de luz”, torce.
Independentemente das curvas, o fato é que Fani Pacheco dá Ibope. E tudo o que ela faz tem espaço garantido na mídia. A Nova Eva adora gente que faz e acontece. Então, fica aqui o registro da sua fase relâmpago no plus, mas que tem o seu valor. Fé, saúde e sorte, Fani!

 

 

Mais cliques do ensaio de capa que ficou bárbaro. Confira na galeria:

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