Jojo Todynho é a nossa princesa nos padrões reais. A sensação da Internet ilustra as nossas páginas de um jeito que você nunca viu. Num castelo, a cantora posa em ensaio luxuoso e fala do sonho de trabalhar na TV, de como lida com quem a considera ‘uma famosa de 15 minutos’, do preconceito por ser negra e gorda e que ainda não caiu a ficha do sucesso.

 

Fotografia: Filipe Menegoy Produção: Equipe Nova Eva Beleza: Thayná Brito Design: Diego Abreu Vestidos: Felicità Noivas e Festas Locação: Castelinho do Flamengo

 

Só dá ela. Polêmica ou não, ela está na crista da onda: sua música está entre os top 5 do aplicativo Spotify, seu clipe tem quase 140 milhões de visualizações no YouTube e possui 2,8 milhões de seguidores no Instagram – em tempo: enquanto eu escrevia essa matéria ela ganhou mais sectos. Claro que eu só posso estar falando da Jordana Gleise de Jesus Menezes, ou melhor, Jojo Todynho – aliás, ela já foi Jojo Maronttinni, nome artístico que aposentou -, a sensação da Internet e dona do hit do Verão “Que tiro foi esse? ”, que vem dividindo opiniões por aí, mas falo disso adiante. O fato é que a Nova Eva é antenada e tinha que entrevistar essa figuraça. A proposta é apresentá-la de um jeito inédito e realizar um sonho de criança: Dia de Princesa. De longo, num ensaio chique, no Castelinho do Flamengo, na Zona Sul do Rio, ela repetia a toda hora que estava divina. Durante as fotos, fez até um vídeo, cantarolando “Let it go”, música-tema da animação “Frozen – Uma aventura congelante”, como se fosse a personagem Elza.

“Eu estou emocionada. Nunca me senti tão bonita. Nunca tinha me vestido assim num ensaio, eu me sinto uma princesa fora do padrão”, diz ela, que sempre acompanhou os desenhos das princesas da Disney, mas nunca se identificou. “Sempre gostei da Cinderela e da Branca de Neve. Mas nunca entendi por que as princesas eram brancas, magrinhas e de cabelo liso. Um perfil que está começando a mudar, né? Hoje, eu vivi um conto de fadas diferente, eu me ‘senti’. Num castelo, me senti na Disney”, gaba-se ela, de 21 anos.

Autoconfiante e despachada, Jojo garante que nunca teve problema de baixa autoestima, mas sofreu bullying. “A minha família me ensinou a me amar e sempre me disse: ‘Você pode, você consegue. Cor não quer dizer nada, não se boicote. Seu cabelo é bonito, sua pele é bonita’. O preconceito que senti veio das mulheres. Elas que gostam de reparar os outros, de criticar. Homem, não. Homem não liga. Digo que os homens são amigos até na sacanagem. As mulheres, não. É uma desunião, uma querendo disputar com a outra. É desnecessário”, opina.

Mas pensa que Jojo se abalou? Nada! Ela abriu o verbo e postou um vídeo no Facebook. E foi assim que a cantora, com menos de 1 metro e meio de altura, 100 quilos e sutiã tamanho 58, começou a virar um fenômeno. “Sofri preconceito por ser gordinha e ter seios fartos. Então, eu decidi fazer um vídeo de amor próprio. Quis mostrar para as mulheres que eu posso ser gorda ou magra, com peito grande ou pequeno e, ainda assim, vou sempre enaltecer minha autoestima. Fui dormir com 10 seguidores e acordei com 100 mil e 2 milhões de visualizações”, conta ela.

Por dia, ela costuma postar nas redes, ao menos, um vídeo, e os temas são desde algo rotineiro a palavras de motivação. E com uma pegada de humor, claro. “Eu falo as coisas sérias e as pessoas encaram de uma forma mais bem-humorada, leve. Meus vídeos têm tocado muitos corações. Pra mim, isso é gratificante. Me pedem muitos conselhos, tanto homens quanto mulheres. Nem tenho palavras para tanto carinho.”

 

“ESTOU EMOCIONADA. NUNCA ME SENTI TÃO BONITA. EU ME SINTO UMA PRINCESA FORA DO PADRÃO. HOJE, EU VIVI UM CONTO DE FADAS DIFERENTE. NUM CASTELO, EU ME SENTI NA DISNEY”

 

O ‘BOOM’ NA CARREIRA

A carreira de cantora começou no início de 2017. Antes, ela só havia cantado em coral da escola e em igreja. “Eu cantei no Capadócia, casa de shows em Bangu, que é do meu dindo de consideração. Um dia, eu estava lá e o MC acabou faltando, só que a casa estava cheia. Então, falei: ‘eu vou subir (ao palco) ’. E essa foi a primeira vez que cantei. Foi em março de 2017”, diz ela que ouviu que seu sucesso seria momentâneo. “Me falaram: ‘tenha seus 15 minutos de fama’, e não respondi, fiquei meditando. Até posso ter 15 minutos de fama, mas, se eu souber cultivar a oportunidade que eu estou tendo, que é única, pode se prolongar pra sempre. É só eu saber dosar, saber me portar, melhorar. Sou pra sempre”.

Na época, com cerca de 400 mil followers, já “causando” na Internet, veio o convite que a daria notoriedade na mídia: a participação no clipe “Vai Malandra”, da Anitta, lançado em dezembro de 2017. Jojo aparece dançando por poucos segundos, mas segundos preciosos, que viraram a sua vida do avesso. O que Jojo admite e é grata.

“Meu irmão, o DJ Batata, é meu empresário e amigo da Anitta há anos. E ela falou pra ele que estava gravando um clipe no Morro do Vidigal e queria que eu participasse. Caraca, vou te falar, que pessoa finíssima! Anitta me colocou na vitrine e me deu grandes oportunidades. Uma grande amiga e um ser humano muito generoso. Merece todo o sucesso do mundo.”

A partir daí, é carinha constante na imprensa; fez participação na extinta novela “A força do querer“; fez comerciais; e no carnaval, foi destaque da Beija-flor, escola de samba campeã do Rio deste ano, e se apresentou nos trios elétricos da Anitta, Claudia Leitte e Preta Gil. Até inspirou fantasias de foliões cariocas nos blocos. “Foi maravilhoso! No carnaval passado, eu estava no setor 1, assistindo a tudo da arquibancada da Sapucaí. Esse ano, eu estava na Passarela do Samba, recebendo todo aquele carinho da galera. Foi demais!”, lembra ela, que vai estrear no cinema. Fará uma participação como ela mesma no novo filme do ator Marcelo Serrado, “Crô em família”, segundo longa inspirado no mordomo do folhetim da Globo “Fina estampa” (2011).

 

 

“ME FALARAM: ‘TENHA SEUS 15 MINUTOS DE FAMA’, E NÃO RESPONDI. ATÉ POSSO TER 15 MINUTOS DE FAMA, MAS, SE EU SOUBER CULTIVAR A OPORTUNIDADE QUE ESTOU TENDO, QUE É ÚNICA, PODE SE PROLONGAR PRA SEMPRE. SOU PRA SEMPRE”

 

Com dois singles, “Sentada diferente” e “Que tiro foi esse?”, ganhou espaço nos meios digitais. Mas já está preparando novidades, óbvio. Atualmente, faz shows em boates GLS e presença VIP. Especula-se que, em dois meses, seu cachê de R$ 4 mil tenha subido para R$ 25 mil. Mas quando o assunto é dinheiro, ela, cautelosa, desconversa. “Não me pergunta de cachê, não (risos). Sou acostumada a viver do meu trabalho. Já vendi picolé, fui camelô, faxineira. Tenho que trabalhar pra pagar as contas”, ressalta ela, que agora é moradora da Lapa, bairro boêmio no Centro do Rio. Segundo ela, a mudança foi para otimizar a sua locomoção, ficar perto do aeroporto e da rodoviária.

Recentemente, a sua música “Que tiro foi esse? ”, que está entre as mais ouvidas nas plataformas digitais e na boca do povo, virou trilha para memes. Famosos e anônimos compartilharam vídeos em que se jogavam no chão após a frase-título da música, entre eles Bruno Gagliasso, Luciano Huck e parte do elenco da novela “O outro lado do paraíso”. A brincadeira dividiu opiniões e gerou duras críticas de que a letra da música estaria estimulando a violência. No Instagram, Jojo se manifestou. “Vamos parar de gracinha? Primeiramente, não fale o que você não viveu dentro de uma comunidade. Eu jamais faria música incitando a violência. Aprenda a traduzir as coisas. Todo mundo sabe que a música ‘Que tiro foi esse?’ é aquela coisa: ‘car…, essa roupa tá linda, que tiro! Desmaiei!’ Não abre a boca pra falar o que não sabe. Procure saber.”

Polêmicas à parte, ela se diz surpresa com o sucesso e ama ser reconhecida nas ruas. “Ai, não esperava esse sucesso, mas só agradeço a Deus por ter me abençoado e também trabalhamos muito. Fico meio chocada, às vezes, e me pergunto: ‘caraca, tô bombando assim?’. Mas eu não me vejo famosa. Porque tem gente que começa a sair na mídia e sobe o estrelismo à cabeça. Eu tenho os pés no chão.”

 

“Eu nunca me senti tão bonita. Me sinto uma princesa fora do padrão”, diz Jojo à Nova Eva.

 

SONHO DE ATUAR NA TV

Jojo nasceu em Bangu, bairro da Zona Oeste do Rio, é de uma família de 12 irmãos, entre biológicos e de consideração, e foi criada acreditando em Deus. “É um mix de religião lá em casa. Um é espírita, outro é evangélico, outro é católico, mas nós nos respeitamos’, diz. Hoje, a funkeira e charmeira, como ela mesma se define e ainda acrescenta: “canto ao vivo, não faço playback”, sonha seguir na música, mas almeja atuar na TV.

“Eu quero ser comentarista de novela”, aspira. Pergunto se de programas de fofoca e ela rebate. “Não, porque eu não tenho paciência. Queria apresentar um programa como o ‘Video show’. Mas também quero fazer comédia e atuar em novelas”, enumera.

Mesmo com a agenda cheia, ela encontra tempo para namorar. Entrega que é muito paquerada, mas que o seu coração tem dono, só não diz o nome do rapaz. “Tenho um boy há muito tempo. Muitos homens me dão mole, mas eu sei que é por mídia, por status. E não posso largar quem estava comigo, no arroz com feijão, pra comer caviar, agora. Eu odeio caviar, mas é só um exemplo (risos).”

E ela ainda elogiou a Nova Eva Magazine, que valoriza o segmento PS e a diversidade em geral. “A beleza da mulher tem que ser ressaltada. A gente vive num país machista, onde as mulheres não devem usar decote e saia curta. Temos que mostrar que nós temos voz. Vergonha, jamais! Tem mulher que me diz que ‘está se sentindo um lixo’. Como assim? É importante uma revista que nos valorize.”

E assim chega ao fim o nosso dia de conto de fadas. “E vivemos felizes para sempre”. THE END.

 

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