Flash Mob e balé mandam a letra: ‘gordos podem dançar, sim’
Bailarina Thainá Morango comanda ação nas ruas com mulheres reais e realiza o sonho de pessoas ‘fora do padrão’ que nunca se permitiram dançar por terem sofrido preconceito. Sua intenção é abrir o mercado. “Que o gordo possa ocupar um lugar no corpo de baile de um programa de TV porque ele tem competência, não porque ele é uma atração à parte”, almeja.

Foto de: Vicky Costa

Nova Eva: Como surgiu o FatMoves?

Thainá Morango: O FatMoves foi criado a partir da minha necessidade de atuar no mercado, através do meu trabalho, talento e da minha pesquisa. Quero atuar nesse campo como uma profissional tão competente quanto uma que se encaixa nos padrões impostos. Tenho a intenção de atuar com bailarinos e dançarinos profissionais ou que estejam estudando dança, a fim de que o grupo consiga obter um bom espaço no mercado artístico e gerar um retorno financeiro. O FatMoves é um grupo fechado para preparo, ensaio, aulas, workshops, gravações e treinos. Nossa pretensão é dançar, gravar e ensinar através dos nossos vídeos. Promover workshops e encontros de dança.

Foto de: Vicky Costa

NE: Qual seu sonho com o FatMoves? 

TM: Trabalho no FatMoves um desejo que tenho em mim há tempos. Para que se eu não conseguir, eles consigam. Que é ver gordos e magros dançando juntos sem haver nenhuma distinção corpórea, além do visual. Que o gordo possa ocupar um lugar no corpo de baile de um programa de TV porque ele tem competência o suficiente para aquilo, não porque ele é uma atração à parte.

NE: E o que é o Balé MuDança?

TM: Dentro do FatMoves, eu trouxe o Balé MuDança, que tem pessoas do FatMoves trabalhando para resgatar a autoestima da mulher e para fazer um trabalho mais psicológico e também físico em mulheres reais. Algumas têm contato com a dança; e outras, não. Algumas tiveram vontade de ser bailarinas quando criança e não foram porque alguém disse que eram gordas pra isso. Tento trazer essa oportunidade para as meninas. Mostrando, através da dança, que um corpo voluptuoso, com curvas, gordo, não tem nada de errado.

NE: Qual a relação dos dois projetos?

TM: O Balé MuDança e o FatMoves andam juntos. No FatMoves, eu busco profissionalizar. E o Balé MuDança vai acontecer em várias edições, com pessoas diferentes, pra poder dar espaço para outras pessoas. Tento trazer essa mudança pra vida das mulheres através da dança. Tanto que o nome mesmo já sugere: MuDança.

Foto de: Vicky Costa

NE: Quantas pessoas participam do FatMoves? 

TM: FatMoves tem cinco mulheres e um homem: Alexandra Borges, empresária, 37 anos; Dayanny Mara, secretária, 28; Lívia Citelli, professora, 27; Luciana Fernandes, gestora de RH, 36; Pablito Oliveira, professor de ritmos, 29; e Thainá Morango.  O MuDança tem dez componentes nesta edição: Alexandra Borges; Dayanny Mara; Lívia Citelli; Lívia Dutra, técnica em segurança do trabalho, 31; Luciana Fernande; Pamella Felice, modelo, 27; Pablito Oliveira; Dani Nascimento, autônoma, 33; Michelle Andrade, autônoma, 39; e Thainá Morango.
NE: Pretende levar os projetos para vários cantos do Brasil?
TM: Pretendemos, sim, fazer algo maior com o FatMoves, shows, viagens etc. Mas pretendo levar ambos os projetos pra fora, expandir e trazer mais da arte para esse público que até então acha que a dança não lhe convém. Penso em ter o FatSpace, um local com aulas regulares para quem tem vergonha de frequentar uma escola de dança tradicional. Acima de tudo, busco a segurança, a felicidade e a aceitação de volta à vida das pessoas.

Faremos intervenções urbanas em locais públicos, dançaremos, deixaremos a nossa mensagem e sairemos como se nada tivesse acontecido

Foto de: Vicky Costa

NE: E você vai começar a realizar Flash Mob*. Qual o objetivo?
TM: Vamos estrear em 8 de setembro. Faremos intervenções urbanas em locais públicos, dançaremos, deixaremos a nossa mensagem e sairemos como se nada tivesse acontecido. Nessa ação, eu trabalho com mulheres reais. Elas não são dançarinas. A ideia é mostrar que a mulher real, com estria, celulite, também é feliz.
NE: Como está a sua vida? 
TM: Estou no 7° período, cursando bacharelado em teoria da dança na UFRJ. Tenho me dedicado a ambos os projetos, mantendo uma constância de ensaios e gravações no estúdio que eu montei para trabalho próprio. Recentemente, estive no programa da Globo “Conversa com Bial”, para uma entrevista com a Fluvia Lacerda, mulher que foi minha inspiração antes mesmo de eu ser gorda. Meu maior sonho é dançar com a Beyoncé. Será que a revista pode chegar até ela?
*Grupo que se reúne repentinamente em ambiente público, realiza uma performance atípica por um tempo e rapidamente se dispersa como se nada tivesse acontecido.

Foto de: Vicky Costa

Agradecimentos: Liceu de Artes e Ofícios, Cia de Dança Márcia Lacombe e professora Leticia Assad

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